Internação psiquiátrica no RJ registra aumento na demanda por atendimentos especializados

Profissionais de saúde no Rio de Janeiro têm observado um crescimento na procura por internação psiquiátrica no RJ nos últimos anos. Crises de ansiedade e depressão, agravadas pela pandemia de COVID-19, aumento no consumo de álcool e drogas e o estresse constante decorrente de problemas socioeconômicos estão levando mais pessoas a buscar ou necessitar de hospitalização para estabilização de quadros graves. Hospitais públicos e privados relatam aumento de demanda, e a rede de saúde mental tem trabalhado para dar conta desse cenário preocupante.
Conforme o Manual de Comunicação do Senado Federal, a Lei nº 10.216/2001 define três modalidades de internação psiquiátrica: voluntária (com consentimento do usuário), involuntária (sem consentimento, a pedido de terceiro) e compulsória (determinada pela Justiça).
Segundo médicos que atuam em um serviço de internação psiquiátrica no RJ, muitos pacientes chegam em situação crítica, com surtos psicóticos, tentativas de autoagressão ou episódios de extrema agitação. “Temos recebido casos mais graves e recorrentes, muitas vezes de pessoas que já estavam em acompanhamento ambulatorial, mas que descompensaram devido ao contexto social e econômico”, explica uma psiquiatra. Ela afirma que a internação, nesses casos, é necessária para preservar a vida e evitar danos irreversíveis.
A equipe multiprofissional que atende durante a internação trabalha para estabilizar o quadro clínico e desenvolver um plano de recuperação. O tratamento inclui medicamentos, psicoterapia, atividades terapêuticas e reuniões familiares. “Nossa abordagem é humanizada; não estamos falando de depósitos de pacientes, mas de serviços que buscam reintegrar a pessoa à vida social”, afirma uma enfermeira. Os profissionais ressaltam a importância de oferecer acolhimento e respeito à dignidade do paciente, combatendo o estigma que ainda ronda a saúde mental.
O aumento na demanda tem exposto fragilidades do sistema de saúde. Há falta de leitos psiquiátricos em hospitais gerais e especializados, o que leva a uma sobrecarga das emergências e a internações em locais inadequados. Especialistas defendem que o governo estadual e os municípios ampliem o número de vagas, reforcem as equipes de saúde mental e invistam em serviços de base territorial, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). “Precisamos garantir que a internação seja a exceção e não a regra, mas, quando necessária, que ocorra de forma digna”, afirma um coordenador de CAPS.
As famílias, por sua vez, enfrentam desafios para lidar com situações de crise. Muitas vezes, não sabem identificar os sinais de agravamento e demoram a procurar ajuda. Campanhas educativas que orientem sobre quando buscar um serviço de emergência e sobre o funcionamento da internação psiquiátrica podem salvar vidas. “É crucial que os familiares não carreguem a culpa e que entendam que o tratamento é uma medida de cuidado”, diz uma psicóloga. Ela reforça que o envolvimento da família no processo de internação e na fase pós-alta é fundamental para a recuperação.
Entidades de defesa dos direitos das pessoas com transtornos mentais ressaltam que o crescimento na procura por internação psiquiátrica no RJ deve ser acompanhado de políticas públicas que combatam o estigma e promovam a saúde mental. Isso inclui programas de prevenção, ampliação de serviços comunitários, formação de profissionais e fiscalização de instituições para garantir o cumprimento da Lei 10.216. A sociedade também precisa discutir a importância da saúde mental e pressionar por investimentos que vão além da abertura de leitos, buscando construir uma rede de cuidados integral.
Apesar dos desafios, profissionais de saúde mental destacam que a crescente visibilidade da temática é um passo positivo. “Mais pessoas estão reconhecendo que precisam de ajuda e procurando serviços especializados”, observa um psiquiatra. Para que isso se traduza em recuperação, é necessário que a internação psiquiátrica no RJ continue sendo tratada como um recurso terapêutico e não como punição. Com investimentos adequados e o engajamento de famílias, profissionais e gestores, é possível oferecer um atendimento digno e eficaz, ajudando a escrever histórias de superação e de respeito à vida.
